Em São Paulo, nos dias 25 de abril (sábado), às 16h, na Catedral Anglicana da Santíssima Trindade (Rua Comendador Elias Zarzur, 1239 – Barra Funda), e 26 de abril (domingo), às 13h30, na Igreja da Consolação (Rua da Consolação, 585 – Consolação ), o maestro Jésus Figueiredo rege o concerto Tempo Pascal – Do Barroco Italiano ao Rococó Brasileiro, reunindo o Coro Polifonia Paulista e o conjunto de instrumentos históricos Sonare Antico.

Regência: Jésus Figueiredo
Solsita:
Jeziel Coelho, contratenor

ENTRADA GRATUITA

Sobre o concerto:

O Concerto reúne o Coro Polifonia Paulista e o conjunto instrumental Sonare Antico em colaboração artística, apresentando um programa dedicado à expressividade espiritual da música sacra do século XVIII. Inspirado no significado litúrgico do tempo pascal, o concerto propõe um percurso musical que atravessa os temas da Paixão, da profissão de fé e da celebração da Ressurreição. Concebido para espaços de caráter litúrgico, o programa valoriza a relação entre música, arquitetura e espiritualidade, privilegiando a acústica natural e uma escuta contemplativa. A interpretação fundamenta-se em princípios de performance historicamente informada, com instrumentos de época que buscam aproximar o público da sonoridade original do repertório barroco. A união entre coro e conjunto instrumental constrói um arco expressivo que parte do recolhimento meditativo e culmina em uma afirmação sonora luminosa, em sintonia com o espírito da celebração pascal.

A Sinfonia em si menor de Antonio Vivaldi, intitulada Al Santo Sepolcro, ocupa um lugar singular dentro da produção do compositor. Provavelmente escrita por volta de 1730 para acompanhar um ofício litúrgico da Semana Santa na capela de um orfanato em Veneza, a obra apresenta um caráter introspectivo e meditativo incomum em Vivaldi. Estruturada em dois movimentos — um Adagio molto meditativo seguido por uma fuga contida (Allegro ma poco), suas texturas contrapontísticas densas e expressivas evocam uma atmosfera de luto e contemplação como uma forte alusão musical à Cruz e ao mistério da Paixão de Cristo.

Os motetos de Padre José Maurício Nunes Garcia, escritos para as celebrações da Semana Santa, introduzem o repertório sacro brasileiro e aprofundam a dimensão devocional do programa. Obras associadas a diferentes momentos da liturgia da Paixão — incluindo o Domingo de Ramos, a contemplação do sofrimento de Cristo e o recolhimento do Sábado Santo — revelam a assimilação dos modelos europeus no contexto musical brasileiro, combinando expressividade retórica, clareza textual e intensa carga espiritual.

O Credo em mi menor, RV 591, única configuração autêntica preservada do texto do Credo composta por Vivaldi, apresenta escrita coral de forte caráter homofônico e afirmativo. Organizada segundo as principais seções do texto litúrgico, a obra constrói um percurso expressivo que vai da solene declaração inicial da fé à contemplação do mistério da Encarnação, passando pelo caráter doloroso do Crucifixus, marcado por tensão harmônica e cromatismo, até o impulso luminoso do Et resurrexit, culminando em expansiva escrita coral polifônica. A obra traduz musicalmente o núcleo teológico do ciclo pascal.

O programa culmina com o Te Deum de Niccolò Jommelli, solene hino de louvor tradicionalmente associado a celebrações de ação de graças. Composto para solistas, coro e orquestra, a obra reúne clareza litúrgica e expressividade dramática características do estilo napolitano do século XVIII. A alternância entre momentos contemplativos e passagens de grande expansão coral confere caráter luminoso e afirmativo à obra, simbolizando musicalmente a renovação espiritual e o caráter celebrativo próprios da Páscoa.

Programa:

Sinfonia em Si menor para cordas “Al Santo Sepolcro” (RV 169) – Antonio Vivaldi (1678-1741)
– Adagio molto
– Allegro ma poco

Motetos para a Semana Santa – José Maurício Nunes Garcia (1767-1830)
– Gradual para domingo de Ramos
– Improperium
– Domine Jesu
– Popule Meus
– Sepulto Domino

Credo (RV 591) – Antonio Vivaldi (1678-1741)
– Allegro: Credo in unum Deum
– Adagio: Et incarnatus est
– Largo: Crucifixus
– Allegro: Et resurrexit

Te Deum, em ré maior (1763) – Niccolò Jommelli (1714-1774)
– Allegro spiritoso: Te Deum, coro
– Andantino: Te ergo quaesumus, mezzosoprano
– Allegro: Aeterna fac, coro
– Alla breve: In te Domine speravi, coro

Sobre o maestro, Polifonia e Sonare

A direção musical do projeto está a cargo do maestro Jésus Figueiredo, regente de ampla atuação nacional no campo da música coral e do repertório sacro. Foi titular do Coro do Theatro Municipal do Rio de Janeiro onde trabalha desde 1999, Diretor Artístico da Associação de Canto Coral (ACC-RJ), mestre em Acústica Musical pela UFRJ e em música antiga pela Haute École de Musique de Genebra (Suíça), desenvolve uma trajetória marcada pela excelência na preparação vocal e pela difusão do repertório coral histórico, tendo sido premiado pela APCA por gravações dedicadas à obra de Carlos Gomes. Neste programa, sua condução musical articula diferentes tradições do século XVIII em um percurso expressivo alinhado ao significado espiritual do tempo pascal.

O Coro Polifonia Paulista dedica-se à música coral de concerto, com ênfase no repertório sacro e na produção brasileira. Fundado em 2025, sob direção do maestro Jésus Figueiredo e com regência preparatória de Diego Pellegrini Totaro, o coro paulistano apresenta mais um concerto em parceria com a Associação de Canto Coral (ACC), como parte de sua programação artística.

O Sonare Antico dedica-se à interpretação de obras dos séculos XVII e XVIII em instrumentos de época, com base nos princípios da performance historicamente orientada. Formado por músicos especializados, com trajetória no Brasil e no exterior, o conjunto desenvolve pesquisa contínua sobre articulação, afinação, retórica musical e práticas interpretativas do período barroco.

Seu trabalho busca recriar a paleta sonora característica da época por meio do uso de violinos, violas, violoncelos e contrabaixo barrocos, além de cravo e teorba, explorando contrastes de timbre, dinâmica e ornamentação. As apresentações evidenciam uma sonoridade transparente e incisiva, em que o rigor histórico se alia à expressividade e à vitalidade artística, aproximando o repertório antigo da escuta contemporânea.